segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Re-Retorno do Pampa Burger

"Puxa-vida, Floco, esse blog não era sobre Xis, e não hambúrguer?" Caro leitor, acima de tudo, este blog é meu, e nele eu escrevo o que eu quiser (ou seja: aguardem (sentados) um post sobre videogames), e considero  que o Pampa Burger ainda mantenha certa relevância, visto que uma de suas lojas foi recentemente envolvida em toda sorte de não-sei-quês relativos à conservação e estado dos produtos lá degluturos. Aparentemente a carne certificada cem-por-cento Angus (não o Young) tinha procedência desconhecida e os condimentos também não eram exatamente marriage material, entre outras coisas. Mas o mais importante: havia bactérias perigosas (essas mesmo) e cocô de bichinhos demais na nossa comida.

Primeiramente, devo esclarecer que aqui não temos problema nenhum em saborear carnes oriundas do topo de chapas de notória imundície, nem em comer de pé em lugares onde sabidamente habitam ratos e baratas. Mas daí a comer comida estragada, é outra coisa. Por mais que eu já tenha comido em bodegas sujismundas desse mundo, nunca passei mal por fazê-lo. E foi o passar mal que ocorreu com quase trezentos (é isso, produção?) portoalegrenses incautos que escolheram o Pampa Burger para as libações de certa época. Eu tive sorte e não fui pego, embora tenha comido lá nesses tempos.

Daí, sacomé, vigilância sanitária resolveu tirar a cabeça da bunda e trabalhar um pouco, e interditou uma das filiais, fez exame nas carninha, etc (lembrem-se, esta informação é completamente duvidosa e sem nenhuma base factual (ou seja: pode ser que isso não tenha acontecido e eu esteja mal-informado (de qualquer maneira, vou fingir que é tudo verdade (façamos assim: consideremos este um TEXTO DE FICÇÃO)))).

E eis que esses dias o tal pico reabriu, e lari vai, lari vem, Pedrenriqster teve a idéia (abaixo o novo acordo otrográfico) de passar lá ontem. Era Domingo de carnaval, aquela vibe meio estranha, tinha muito pouca coisa aberta na cidade, tocamos pra lá. Confesso que o lado bom que pude ver imediatamente daquele bafafá todo era que o lugar supostamente ficaria menos atochado com essa mancha na reputação da casa. Expectation fulifilled.

O cardápio mudou: está maior e mais bonito. Está tudo por mais ou menos quinze pilas. Tem um ou dois sanduíches novos e em muitos lê-se o ingrediente "salsa campeira", suponho que ao invés de maionese. Resolvi pedir um sanduíche cuja existência nunca chamara minha atenção: o Galo Véio.

De baixo pra cima: pão, pasta de gorgonzola, hambúrguer, bacon, "salsa campeira", pão. O pão agora é levemente tostado e é salpicado com gergelim. A pasta de gorgonzola é, bem, uma pasta de gorgonzola. Sinceramente, tenho que fazer uma apologia aqui: foi em parte erro meu em ter pedido este sanduíche, visto que gorgonzola é um ingrediente que, pelo menos em Porto Alegre, é tratado com ignorância e pouca sensibilidade, sendo aplicado em quantidades descabidas e com destaque rude na maioria dos pratos em que aparece (fasfavor né galere, o troço FEDE), e eu, sabendo disso, mesmo assim pedi tal sanduíche.

No geral, é um sanduíche muito, mas muito salgado. O bacon é aparentemente defumado e, como não deve ser frito, apresenta crocância zero e acaba apenas contribuindo com mais sal ao sabor final, que já é defumado tendo em vista o processo de manufatura da carne. A tal salsa campeira é apenas visível, mas não palatável, contribuindo apenas para não deixar o sanduíche seco demais. Acaba sendo seco demais, visto que a pasta de gorgonzola é um pouco empelotada e - sim - muito mal distribuída. De modo geral, é uma combinação infeliz.

A carne - pode chorar - também mudou. Não é mais o hambúrguer alto e suculento feito na brasa que tínhamos pré-interdição. Agora temos algo baixo e plano e - triste - com mais gosto de churrasqueira do que de carne. Pedacinhos de gordura não são mais visíveis ou tácteis. A carne não parece mais carne moída, mas carne processada, carne mecanicamente separada. Não duvido haver aditivos químicos para ajudar na conservação e evitar nova sabatina sanitária. A textura agora ao invés de complexa e suculenta é simplesmente gelatinosa. Beira o nojento, beira o mcnugget. Triste, simplesmente triste.

Os condimentos que antes eram apresentados em altos tubos para self service agora aparecem em sachezinhos, supõe-se que também para conservação, visto que também foram acusados nos exames. A cerveja continua razoavelmente gelada. A heineken é servida em copos para ale, e as demais são servidas em copos para weiss. Estranho.

É incrivelmente triste relatar isso. Era um lugar muito bom, embora eu torcesse muito o nariz para admitir isso. Agora o que eu recomendo é evitar voltar lá e tentar manter a lembrança do lugar que mereceu minha nota nove vírgula dois.

Nota final: 6,0 (se não fosse o ambiente agradável ficaria um pouco mais abaixo)

Pelo menos o risco à saúde deve ter diminuído. Uma grande idéia que começa a esmaecer por problemas de execução. Darei mais uma chance daqui uns 6 meses.

2 comentários:

Daniel Vidal disse...

Sou Portoalegrense, mas moro em Tubarão SC, sempre que dá $$ vou a Porto Alegre rever os amigos, e quase sempre comer no no Pampa Burger, contava os dias para ir comer lá, este final de semana estive no Pampa pela primeira vez depois de ter sido fechado. QUE DECEPÇÃO, lanche está ruim, sem sabor, especialmente por causa da carne que estava sem gosto e meio dura, até nervos encontramos no meio. Antes eu contava os dias para voltar a Porto Alegre e comer um Pampa, agora não sei se volto a comer lá. já já essa budega fecha se não melhorarem a qualidade.

Nana disse...

O re-retorno é uma referência a HIMYM?